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Fio Vermelho

O imposto que vem no preço: você paga na geladeira, a igreja quer sair

Por Fio Vermelho ·

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Vídeo curto do pensamento: O imposto que vem no preço: você paga na geladeira, a igreja quer sair

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Quem compra uma geladeira paga imposto sem assinar nada. Ele vem escondido no preço: ICMS, PIS, Cofins e, na transição da reforma tributária, os impostos novos que entram no lugar deles. Pagou a geladeira, pagou o imposto.

Em 28 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a PEC 5/2023: 385 votos a 93 no primeiro, 368 a 96 no segundo. A proposta tira exatamente esse imposto, o que vem no preço, do que igreja e templo compram pra construir, manter e fazer funcionar o templo e as obras ligadas a ele, como creches, asilos e seminários. Vale pra todas as religiões. Hoje a Constituição já livra os templos do imposto sobre patrimônio, renda e serviços. A proposta quer o resto: o imposto do cimento, que você continua pagando no da geladeira.

Não é um pedido isolado. Em 2020, igrejas deviam mais de R$ 1 bilhão à Receita em cobranças que a imunidade não cobre, contribuição sobre o lucro e multas. O Congresso aprovou uma emenda perdoando essa dívida, o presidente vetou, e em 17 de março de 2021 o Congresso derrubou o veto. Custo estimado: R$ 1,4 bilhão em quatro anos. Em 2022, uma emenda à Constituição tirou o IPTU também do templo que funciona em imóvel alugado.

Nem a Receita sabe quanto a regra de hoje custa. Em 2019, o coordenador de previsão e análise do órgão disse: "Se não sei nem como se tributaria essa receita, não tem como saber o que deixou de ser arrecadado". E não é dinheiro pequeno que passa por ali: naquele ano, a Folha obteve da Receita a receita declarada das entidades religiosas, de todas as religiões, e ela tinha chegado a R$ 24,2 bilhões em 2013. O economista Marcelo Néri, da FGV, já tinha dado nome à isenção em 2007: "A renúncia fiscal de alguma forma é um subsídio, porque a igreja faz o que o Estado não faz".

O que essa sequência mostra é que no Brasil existem dois tipos de contribuinte. Um paga no balcão, sem escolha e sem saber quanto. O outro tem votos no plenário e consegue, de tempos em tempos, uma emenda, um perdão, uma PEC. A diferença entre os dois não está em quanto cada um ganha. Está em quem tem gente sentada lá dentro pra votar por ele.

A PEC 5/2023 ainda não é lei. Desde 15 de outubro ela está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, esperando um senador ser designado relator, sem nenhuma votação e sem data marcada. Ainda dá tempo de ela não passar.

A exigência é uma só: que o Senado rejeite a PEC 5/2023. Quem decide agora são os senadores, a começar pela Comissão de Constituição e Justiça, que ainda nem tem relator para a proposta. Cada passo dela aparece na página do processo no Senado (abre em outra aba). Quando o relator for escolhido, é o nome dele que você vai querer saber.

Quanto dinheiro entra nas igrejas, pra onde ele vai e como o Estado virou sócio disso está no episódio sobre o dízimo e a teologia da prosperidade (abre em outra aba).

Por Fio Vermelho ·

Fontes

5 fontes · todas confirmadas

CEMFOCO2026

Fonte confirmada.

Câmara aprova PEC que garante imunidade tributária às igrejas — Congresso em Foco, 2026-05-28

Em 28/5/2026 a Câmara aprovou a PEC 5/2023 em dois turnos (385 x 93 e 368 x 96): imunidade a tributos sobre consumo nos gastos de implantação, manutenção e funcionamento de igrejas e outros templos, inclusive creches, asilos, orfanatos, comunidades terapêuticas, mosteiros, seminários e conventos.

https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/119271/camara-aprova-pec-que-garante-imunidade-tributaria-as-igrejas

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SENADO-PEC5

Fonte confirmada.

PEC 5/2023, processo 9057547 (dados abertos) — Senado Federal

A PEC 5/2023 foi despachada à Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 15/10/2026 e está aguardando designação do relator, sem nenhuma votação.

https://legis.senado.leg.br/dadosabertos/processo/9057547

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RADIOSENADO

Fonte confirmada.

Senado vai analisar proposta que amplia benefício fiscal a igrejas — Rádio Senado, 2026-06-09

Hoje a Constituição garante aos templos imunidade apenas sobre patrimônio, renda e serviços; o imposto embutido no preço do que a igreja compra (como o que se paga numa geladeira) não está coberto, e é isso que a PEC muda.

https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2026/06/09/senado-vai-analisar-proposta-que-amplia-beneficio-fiscal-a-igrejas

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METROPOLES2021

Fonte confirmada.

Senadores confirmam perdão de R$ 1,4 bi em impostos de igrejas — Metrópoles, 2021-03-17

Em 17/3/2021 o Congresso derrubou o veto e liberou o perdão de contribuição sobre o lucro (CSLL) e multas cobradas de igrejas, que deviam mais de R$ 1 bi à Receita em 2020; a renúncia foi estimada em R$ 1,4 bi em quatro anos.

https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/senadores-confirmam-perdao-de-r-14-bi-em-impostos-de-igrejas

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FOLHA2019

Fonte confirmada.

Receita de igrejas quase dobra em oito anos e vai a R$ 24,2 bi — Thiago Resende, Folhapress, 2019-08-20

A receita declarada das entidades religiosas foi de R$ 24,2 bi em 2013; o coordenador de previsão e análise da Receita disse que não há como saber quanto a imunidade deixa de arrecadar.

Se não sei nem como se tributaria essa receita, não tem como saber o que deixou de ser arrecadado

https://www.bahianoticias.com.br/folha/noticia/49886-receita-de-igrejas-quase-dobra-em-oito-anos-e-vai-a-r-242-bi.html

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