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Fio Vermelho

Emprego não é o placar: o trabalho que voltou e o pão que não voltou

Por Fio Vermelho ·

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Vídeo curto do pensamento: Emprego não é o placar: o trabalho que voltou e o pão que não voltou

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Em 1932, o lema da campanha nazista era "trabalho e pão". A Alemanha vinha de uma crise que tinha levado o número de desempregados de 1,3 milhão, em 1929, pra mais de seis milhões. No começo de 1933, mais de um em cada quatro alemães que trabalhavam estava oficialmente sem emprego.

A primeira metade da promessa foi cumprida, e não adianta negar. Em 1936, com 1,5 milhão de desempregados na média do ano, o país voltou ao nível de emprego de 1928. A fila tinha encolhido pra um quarto do que era. O jeito foi a arma: de cada cem marcos que o governo gastava, quatro iam pro exército em 1933; três anos depois, eram 39. Em 1938, metade do gasto público ia pra armamento e preparação de guerra.

A segunda metade não veio. Segundo o Museu Histórico Alemão, como aumento de salário devia ser evitado por causa do custo, o que o salário do operário médio da indústria comprava mal subiu e ficou bem abaixo de 1928 até 1939. Emprego tinha. A sacola da feira é que voltava mais leve. E não havia a quem reclamar: os sindicatos tinham sido fechados em maio de 1933, e quem fixava o salário era funcionário nomeado pelo governo. Enquanto isso, a corrida das armas dava lucro alto pras empresas, e a Krupp, a maior fábrica de aço e de canhões do país, estava entre as que lucraram.

O que essa história diz sobre hoje cabe numa palavra: emprego. Ela virou o argumento que encerra qualquer discussão. Se gera emprego, está justificado. A obra que passa por cima do bairro, a fábrica que suja o rio, a lei que corta direito, o salário que não fecha o mês: tudo ganha passe livre quando chega com a promessa de vaga. E o número de desempregados virou o placar que todo governo exibe e toda oposição ataca, como se dissesse tudo.

Só que o número de vagas, por si só, diz pouco. A Alemanha de 1936 tinha o emprego de volta ao nível de 1928 e um operário que comprava menos do que em 1928. O número que importava não era quantos estavam trabalhando. Era quanto o trabalho rendia pra quem trabalhava, e pra onde ia o resto. O resto ia pra quem fabricava canhão.

Ter trabalho é melhor do que não ter, ninguém discute. Mas emprego é meio, não fim. Ele existe pra pôr comida na mesa, pagar o aluguel, sobrar um pouco de tempo pra viver. Quando o emprego vira o fim, qualquer emprego serve, em qualquer condição, pra produzir qualquer coisa. E quem decide a condição não é quem trabalha.

Diante de toda promessa de vaga, a pergunta útil tem três partes: paga quanto, produz o quê, e quem pode negociar quando não der. Em 1936, as três respostas eram ruins, e o placar do desemprego estava ótimo.

Placar de emprego bonito com sacola leve não é vitória de quem trabalha. É vitória de quem contrata.

A sala onde essa conta foi apresentada, três anos antes, está no episódio sobre o conto da extrema direita (abre em outra aba).

Por Fio Vermelho ·

Fontes

4 fontes · todas confirmadas

LEMO-IND

Fonte confirmada.

Industrie und Wirtschaft — Johannes Leicht, Deutsches Historisches Museum (Museu Histórico Alemão), LeMO, 2015

Mais de 25% sem trabalho no começo de 1933; 1,5 milhão de desempregados em 1936, o nível de emprego de 1928; fatia militar do gasto do Estado de 4% para 39% entre 1933 e 1936 e metade do gasto público em armamento em 1938; renda real do operário médio da indústria abaixo de 1928 até 1939; Krupp entre os industriais que lucraram com o rearmamento.

lag bis 1939 deutlich unter dem Niveau von 1928

Esse documento não tem link público.

DIW

Fonte confirmada.

Von der Weltwirtschaftskrise bis zur Machtergreifung der Nazis — DIW Berlin (Instituto Alemão de Pesquisa Econômica)

O número de desempregados na Alemanha subiu de 1,3 milhão em 1929 para mais de 6 milhões em 1932/33.

https://www.diw.de/de/diw_01.c.932587.de/100_jahre_diw/von_der_weltwirtschaftskrise_bis_zur_machtergreifung_der_nazis.html

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KOWALL2023

Fonte confirmada.

"Arbeit und Brot" – die sozioökonomische NS-Propaganda vor 1933 — Nikolaus Kowall, Wirtschaftsdienst 103(6), 2023

O lema programático da campanha nazista de 1932 era "trabalho e pão".

https://www.wirtschaftsdienst.eu/inhalt/jahr/2023/heft/6/beitrag/arbeit-und-brot-die-soziooekonomische-ns-propaganda-vor-1933.html

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GHDI-2MAI

Fonte confirmada.

Prohibition of Free Trade Unions: SA Members Seize the Union Office on Engelsufer in Berlin (May 2, 1933) — German History in Documents and Images (GHDI)

Em 2 de maio de 1933, SA e SS, guiadas pela organização nazista de fábrica, ocuparam as sedes de todas as entidades da ADGB, confiscaram os bens e prenderam os dirigentes, quase sem resistência; os bens foram para a Frente Alemã do Trabalho, fundada em 10 de maio de 1933.

https://germanhistorydocs.org/en/nazi-germany-1933-1945/prohibition-of-free-trade-unions-sa-members-seize-the-union-office-on-engelsufer-in-berlin-may-2-1933

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