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Notícia

Um mês de bets proibidas: a regra já vale, mas ainda depende do Congresso e do STF

A MP que proibiu as bets em 25/09 tem prazo até 23/11 e a comissão do Congresso nem foi instalada. Em 03/11, o STF ouve a indústria da aposta e os clubes.

Por Fio Vermelho ·

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Faz um mês que a bet foi proibida no Brasil. Desde 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória 1.394, assinada pelo presidente Lula, proíbe "a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade" de aposta de quota fixa no país inteiro, em meio físico ou virtual, inclusive quando a casa de aposta está sediada no exterior. As empresas tinham dez dias para tirar site e aplicativo do ar, e o saldo de quem apostava tem que ser devolvido inteiro, em sete dias.

Só que a proibição ainda não é lei: medida provisória vale na hora, mas precisa passar pela Câmara e pelo Senado. Nesta sexta, 30 de outubro, a página da MP 1.394 no Congresso dizia: "AGUARDANDO INSTALAÇÃO DA COMISSÃO". A comissão mista que analisa o texto não tem presidente nem relator. E o primeiro prazo de votação vence em 23 de novembro.

O que a bet tirava de quem trabalha

Na quarta, 28 de outubro, o Ministério do Trabalho divulgou, com dados do INSS, que o número de trabalhadores afastados por jogo patológico (código CID F63.0) passou de 67 em 2023 para 157 em 2024 e 361 em 2025: mais de cinco vezes entre 2023 e 2025. A maioria era homem (71%), e 44,1% tinham de 30 a 39 anos. Segundo o ministério, esses casos, mais recentemente, "estão mais associados às apostas eletrônicas (bets)". Os dados vão até 2025, antes da proibição. E 361 é só quem contribui pro INSS, pediu o benefício e teve o afastamento reconhecido: a ponta do iceberg.

Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, falou dos trabalhadores "que, na busca de alguma ajuda financeira, terminam endividados em proporções desesperadoras."

No mesmo dia, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) disse que o varejo de alimentos vendeu 6,5% mais de 5 a 11 de outubro do que na mesma semana de 2025, e 6,3% mais de 12 a 18, "especialmente na cesta de produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café". A Abras atribui a alta à proibição e diz que as transações por Pix caíram 10% com a proibição e hoje estão 7% abaixo. É a leitura de quem vende comida, com duas semanas de dado e sem estudo independente.

O fio: o salário cobrado de novo

O episódio Por que a gente trabalha tanto e continua na merda (abre em outra aba) mostra como o salário que você recebe é cobrado de novo depois de pago, e a bet é uma dessas cobranças. Segundo o Comsefaz, com dados do Banco Central, as famílias brasileiras perderam em média R$ 4,7 bilhões por mês para as bets entre outubro de 2024 e março de 2026, contando só o Pix. É o que foi apostado menos o que voltou em prêmio: quase 3 milhões de salários mínimos por mês. Se você ou alguém da sua casa jogava, era desse bolso que o dinheiro saía. Em 25 de setembro, a MP mandou fechar essa torneira.

Quem quer a porta aberta

A MP recebeu 99 emendas no Congresso. Marcos Braz (PSDB-RJ) é autor das emendas 7 a 11; segundo a Agência Estado, ele propõe uma transição de até 24 meses, ou até o fim da temporada, para as empresas que já eram autorizadas, argumentando que o corte geraria "colapso orçamentário imediato". Uma emenda de Sargento Reginauro (PSDB-CE) admite liberar de novo alguma modalidade, sobretudo a aposta esportiva. Do outro lado, Tabata Amaral (PSB-SP), na emenda 47, pede atendimento no SUS para quem ficou dependente: "A proibição não elimina essa demanda: quem desenvolveu dependência continua precisando de tratamento".

No Supremo, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) movem a ADI 8.027 contra a MP. O relator, ministro Luiz Fux, marcou audiência pública para terça, 3 de novembro, às 10h, a pedido da Advocacia-Geral da União, das autoras da ação e de entidades admitidas no processo. Entre os convocados estão Flamengo, Corinthians, São Paulo, a CBF, a CNI e a Abert, das emissoras de rádio e TV. A audiência não decide nada; depois dela, Fux pode suspender a MP ou mantê-la.

A objeção mais forte vem da Instituição Fiscal Independente, do Senado: a arrecadação perdida com o fim das apostas não está no Orçamento. Do seu lado, a conta era R$ 4,7 bilhões por mês.

O que pode mudar, e até quando

  • 3 de novembro, 10h: audiência pública no STF.
  • 9 de novembro: a MP entra em urgência e tranca a pauta da Casa onde estiver.
  • 23 de novembro: fim do primeiro prazo. Sem votação, a MP é prorrogada uma vez, por mais 60 dias. Se não virar lei até o fim da prorrogação, perde a validade "desde a edição", e as bets podem voltar.

O que dá pra exigir

A proibição valendo e o direito ao saldo devolvido inteiro já são vitória. Falta virar lei.

  • No Congresso: instalar a comissão mista da MP 1.394 e votar a conversão em lei sem a transição de até 24 meses proposta por Marcos Braz, e com o tratamento no SUS da emenda 47. Quem decide é a comissão mista e, depois, os plenários da Câmara e do Senado. Prazo: 23 de novembro, prorrogável uma vez. Acompanhe na página da MP no Congresso (abre em outra aba).
  • No STF: que o ministro Luiz Fux, relator da ADI 8.027, mantenha a proibição depois da audiência de 3 de novembro.

Fontes

11 fontes · 9 confirmadas · 2 disputadas

MP1394

Fonte confirmada.

Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026 — Presidência da República (assinam Luiz Inácio Lula da Silva, Dario Carnevalli Durigan e Wellington César Lima e Silva), 2026-09-25

A MP proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de aposta de quota fixa no território nacional, inclusive por agente sediado no exterior; dá dez dias para as casas tirarem sites e aplicativos do ar e sete dias para devolverem integralmente os valores dos apostadores; vale desde a publicação.

Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/mpv/mpv1394.htm

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CN-MPV

Fonte confirmada.

Medida Provisória n° 1394, de 2026 (página de tramitação) — Congresso Nacional, 2026-10-30

Em 30/10/2026, a MP 1.394 aguardava a instalação da comissão mista, tinha prazo de deliberação até 23/11/2026, entrava em regime de urgência a partir de 09/11 e havia recebido 99 emendas, entre elas as de Marcos Braz (7 a 11), Sargento Reginauro (82 a 98), Tabata Amaral (47) e Carlos Portinho (99).

AGUARDANDO INSTALAÇÃO DA COMISSÃO

https://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/-/mpv/175871

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CF62

Fonte confirmada.

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 62 — Presidência da República (Planalto), 1988-10-05

A MP perde a eficácia desde a edição se não for convertida em lei em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período; em regime de urgência, tranca as demais deliberações da Casa onde estiver.

perderão eficácia, desde a edição,

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

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MTE-AFAST

Fonte confirmada.

MTE identifica aumento de afastamentos do trabalho relacionados ao vício em jogos — Ministério do Trabalho e Emprego (dados do INSS), 2026-10-28

Os afastamentos pelo INSS por jogo patológico (CID F63.0) foram de 67 em 2023 para 157 em 2024 e 361 em 2025; 71% eram homens e 44,1% tinham de 30 a 39 anos; o MTE diz que os casos recentes estão mais associados às bets. Os dados vão até 2025, antes da proibição.

em especial dos trabalhadores que, na busca de alguma ajuda financeira, terminam endividados em proporções desesperadoras.

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/outubro/mte-identifica-aumento-de-afastamentos-do-trabalho-relacionados-ao-vicio-em-jogos

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ABR-AFAST

Fonte confirmada.

Afastamentos por vício em jogos cresceram 5 vezes em três anos — Agência Brasil (com informações do MTE; edição Juliana Andrade), 2026-10-28

A Agência Brasil resume o dado do MTE como alta de cinco vezes nos afastamentos por vício em jogos.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-10/afastamentos-por-vicio-em-jogos-cresceram-5-vezes-em-tres-anos

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ABR-ABRAS

Fonte disputada: os historiadores discordam.

Consumo de alimentos cresce após proibição das bets no país, diz Abras — Agência Brasil (Flávia Albuquerque); dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), 2026-10-28

A proibição fez o dinheiro voltar para o supermercado? A Abras diz que sim: o varejo alimentar subiu 6,5% (5 a 11/10) e 6,3% (12 a 18/10) sobre as mesmas semanas de 2025, e o número de transações por Pix caiu 10% e depois 7%, segundo a associação. É correlação de duas semanas medida pelo setor, sem estudo independente.

especialmente na cesta de produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café

Aqui os historiadores discordam.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/consumo-de-alimentos-cresce-apos-proibicao-das-bets-no-pais-diz-abras

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ABR-COMSEFAZ

Fonte confirmada.

Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025 — Agência Brasil / Radioagência Nacional (Priscilla Mazenotti); dados do Comsefaz, Boletim Fiscal dos Estados, com estatísticas de pagamentos do Banco Central, 2026-08-06

A perda líquida das famílias com bets, só pelo Pix, foi em média de R$ 4,7 bilhões por mês entre outubro de 2024 e março de 2026.

Este valor equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, considerando o período de outubro de 2024 a março de 2026.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/familias-brasileiras-perderam-r-625-bilhoes-para-bets-em-2025

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AE-EMENDAS

Fonte confirmada.

Após extensão do prazo, MP do fim das bets recebe quase 100 emendas — Agência Estado/Broadcast, reproduzido pelo DGABC, 2026-10-14

Segundo a Agência Estado, Marcos Braz propõe transição de até 24 meses, ou até o fim da temporada, para operadores autorizados, alegando "colapso orçamentário imediato"; Sargento Reginauro admite voltar a permitir alguma modalidade, sobretudo aposta esportiva; Tabata Amaral pede atendimento no SUS a quem tem dano do jogo; Carlos Portinho quer recompor pelas loterias federais o dinheiro do esporte olímpico e paralímpico.

A proibição não elimina essa demanda: quem desenvolveu dependência continua precisando de tratamento

https://www.dgabc.com.br/Noticia/4352708/apos-extensao-do-prazo-mp-do-fim-das-bets-recebe-quase-100-emendas

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STF-DESP

Fonte confirmada.

Despacho na Medida Cautelar na ADI 8.027 (convoca audiência pública) — Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux (relator); PDF reproduzido pelo Poder360, 2026-10-26

Na ADI 8.027, movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), o relator Luiz Fux marcou audiência pública para 03/11/2026, a pedido da AGU, das autoras e dos amici curiae, convocando entre outros Flamengo, Corinthians, São Paulo, CBF, CNI e Abert.

designo audiência pública para o dia 03.11.2026, terça-feira, às 10h da manhã, na sala de sessões da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal

https://static.poder360.com.br/uploads/2026/10/Luiz-Fux-convoca-audiencia-publica-sobre-bets-26out2026.pdf

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ABR-IFI

Fonte disputada: os historiadores discordam.

Instituto prevê impacto fiscal de R$ 40 bilhões com medidas de Lula — Agência Brasil; Instituição Fiscal Independente (IFI/Senado), 2026-10-29

Quanto o fim das bets custa ao governo? A IFI põe a perda de arrecadação com o fim das apostas de quota fixa entre as medidas sem previsão no Orçamento; do outro lado, a perda líquida das famílias com bets era de R$ 4,7 bilhões por mês (Comsefaz).

Aqui os historiadores discordam.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/instituto-preve-impacto-fiscal-de-r-40-bilhoes-com-medidas-de-lula

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FIO-PQT

Fonte confirmada.

Por que a gente trabalha tanto e continua na merda — Fio Vermelho, a partir do Comsefaz e do Banco Central, 2026-10-07

O episódio mostra o salário cobrado de novo depois de pago, incluindo a perda líquida de R$ 4,7 bilhões por mês das famílias com bets, quase 3 milhões de salários mínimos de hoje por mês.

https://fiovermelho.org/episodios/por-que-trabalhamos-tanto/

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