Lula foi reeleito presidente no domingo, 25 de outubro de 2026, pra mais quatro anos. Teve mais de 64 milhões de votos, segundo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, que ligou pra ele quando a totalização passou de 99,9% e disse que a Justiça Eleitoral reconhece a "vitória nas urnas". A posse é em 5 de janeiro de 2027.
Foi de virada. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) tinha saído na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No segundo, a diferença virou: mais de 4,4 milhões de votos pro Lula.
O derrotado não aceita o resultado
Na mesma noite, Flávio disse que não reconhece o resultado. "Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições", afirmou. E completou: "Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo."
A regra de que ele fala é o horário. À tarde, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, mandou estender a votação até as 19h. A ação foi da campanha de Lula, que relatou falta de ônibus pra levar eleitor até a urna, e, segundo a Agência Brasil, a decisão atendeu um pedido das duas candidaturas, incluindo a de Flávio. A regra que ele diz que mudou em cima do jogo, a campanha dele também pediu.
A extensão valeu só pras seções que ainda estavam abertas; os votos das urnas já fechadas foram contados normalmente. Flávio diz que nunca vai saber quantos votos teria. Dos mais de 59 milhões que recebeu, não falou.
Ônibus que some no dia da eleição não atrapalha quem tem carro na garagem. Atrapalha quem depende do coletivo pra chegar na escola onde vota.
Por que esse sobrenome pesa
O pai, Jair Bolsonaro, foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão, e entre os crimes está tentativa de golpe de Estado. Desde 25 de novembro de 2025 não cabe mais recurso. O irmão, Eduardo, foi condenado em 16 de junho de 2026 a 4 anos e 2 meses por coação no curso do processo do golpe. Em 16 de outubro, numa sabatina na TV, Flávio chamou o julgamento do pai de "farsa".
E o Congresso já mostrou de que lado fica. Lula vetou o PL da Dosimetria, que reduz a pena dos condenados pela tentativa de golpe. Em 30 de abril de 2026, deputados e senadores derrubaram o veto. Com Flávio no Planalto, a caneta do veto ia parar na mão de quem chama de farsa a condenação do pai.
O que estava na mesa pra você
Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, disse em março: "A trabalhista tem de ser revisitada". Em 8 de outubro, a Folha de S.Paulo noticiou propostas levadas a empresários por interlocutores da campanha que previam até R$ 250 bilhões em despesas obrigatórias a menos e cogitavam corrigir a aposentadoria só pela inflação. A assessoria da campanha falou em "especulação", e Flávio negou: "O Brasil é riquíssimo, não vou fazer economia em cima das pessoas que mais precisam".
A gente já viu esse filme com o pai no comando. No episódio Quem lucrou com Jair Bolsonaro, e quem ficou com a conta (abre em outra aba), o Fio Vermelho mostrou a maior fábrica de armas do país registrando mais rentabilidade com a lei nova, enquanto o trabalhador homem passou a precisar de 40 anos de INSS pra levar a média cheia. A trajetória de quem venceu, e contra quem, está neste vídeo curto (abre em outra aba).
O que já é teu, e o que falta cobrar
Desde janeiro, quem ganha até R$ 5 mil por mês não paga imposto de renda, e quem recebe mais de R$ 50 mil por mês em lucros e dividendos de uma mesma empresa passou a pagar. Em 16 de outubro, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional 141, que acaba com a escala 6x1: 60 dias depois, a jornada máxima cai de 44 pra 42 horas por semana; um ano depois, pra 40, sem redução de salário.
Isso é lei. Lei sem fiscal na porta é papel. A cobrança tem data. Em dezembro, quando as 42 horas valerem, o Ministério do Trabalho do governo reeleito tem que estar na porta de quem mantiver a 6x1 ou cortar salário pra compensar. E o pedido de anulação de Flávio tem que ter, no TSE, a mesma resposta que teve na urna: mais de 64 milhões de votos não se apagam no grito.
