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Notícia

BC para de cortar a Selic e segura o juro básico em 13,75%; a próxima chance é em dezembro

O Copom manteve a Selic por unanimidade em 4 de novembro e interrompeu cinco cortes seguidos. Em julho, as famílias já davam quase R$ 29 de cada R$ 100 ao banco, e duas cadeiras do comitê seguem vazias.

Por Fio Vermelho ·

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Na quarta-feira, 4 de novembro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, manteve a Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi por unanimidade, segundo a Agência Brasil (abre em outra aba), e interrompe uma sequência de cinco cortes, segundo o InfoMoney (abre em outra aba). A Selic é o juro básico da economia: o preço que o Banco Central põe no dinheiro, e a referência para o juro que os bancos cobram de você.

Votaram pela pausa os sete membros do comitê: Gabriel Galípolo, presidente do BC, e Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira. No comunicado, citado pela Agência Brasil, o Copom fala em "aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas," e pede "serenidade e cautela". O mesmo texto registra "desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada," e chama a própria Selic de "substancialmente contracionista". Quer dizer: o BC reconhece que a economia está esfriando e que o juro já aperta, e manteve o juro onde estava.

Foi surpresa? Depende de quem conta. Para a Agência Brasil, "A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual." Para o InfoMoney, a decisão "foi em linha com o esperado pelo mercado, que teve uma reviravolta".

O que isso faz no teu bolso

Em julho de 2026, as famílias brasileiras comprometiam 28,72% da renda com parcela e juros de dívida com banco, o maior valor da série do Banco Central, que começa em 2005. De cada R$ 100 que entram na tua casa, quase R$ 29 saem para o banco. Oito em cada dez famílias tinham alguma dívida, o maior patamar já medido pela pesquisa da CNC, a confederação do comércio. E quem não consegue pagar a fatura inteira do cartão cai no rotativo, cujo juro médio chegou a 444,9% ao ano em agosto, segundo o BC.

Se você quer financiar a casa, a taxa é outra. Em agosto de 2026, o juro médio do financiamento imobiliário a preço de mercado estava em 14,24% ao ano, pelos dados do Banco Central. Faça a conta de R$ 240 mil em 30 anos, na tabela SAC, sem seguros, taxas nem TR: a primeira parcela sai por R$ 3.344,12 e, no fim, você devolve perto de R$ 723 mil. Dois de cada três reais pagos são juros. Essa taxa anda junto com a Selic, mas não no mesmo dia nem na mesma medida: foi de 11,54% em janeiro de 2024 a 14,88% em setembro de 2025. O número de novembro ainda não saiu. O que dá pra dizer hoje é que o juro básico, que vinha caindo, parou.

O fio dessa história

No episódio sobre por que a gente trabalha tanto (abre em outra aba), a gente mostrou que o salário é cobrado de novo depois de pago: na cesta, na dívida, no rotativo, na bet. A decisão de quarta é uma dessas cobranças, só que com endereço: o juro básico, a referência do preço da parcela que come quase R$ 29 de cada R$ 100 da tua renda, é decidido por um comitê que você não elege, e que hoje funciona com duas cadeiras vazias.

Governo, patrão e sindicato reclamaram. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse no dia seguinte, segundo a Agência Brasil (abre em outra aba): "É uma taxa de juros bastante alta, muito ruim para economia, para todos os setores". A CNI, presidida por Ricardo Alban, classificou em nota a decisão como equivocada e excessivamente conservadora; a Força Sindical, presidida por Miguel Torres, a classificou como "irracional, nefasta e desastrosa", segundo a Agência Brasil (abre em outra aba). E Juvandia Moreira, da Contraf-CUT e da CUT, lembrou outra conta: "Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado".

O que pode mudar, e até quando

A próxima reunião do Copom está marcada para 8 e 9 de dezembro, segundo o calendário do Copom para 2026 publicado pela B3 (abre em outra aba). Ninguém garante corte em dezembro.

E tem as cadeiras vazias. Segundo a Agência Brasil, "O Copom está desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expirou no fim de 2025." Na mesma reportagem, de 4 de novembro: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional."

Teto de juro existe quando alguém decide escrever. Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 proíbe que juros e encargos do rotativo e do parcelado do cartão passem de 100% do valor original da dívida. Foi por isso que ninguém mais paga 444% sobre a mesma dívida por um ano inteiro.

O que dá pra exigir

  • O quê: os nomes para as duas diretorias vagas do Banco Central, e uma sabatina aberta em que os indicados digam, com número, o que pretendem para o juro que você paga no cartão e na casa.
  • Quem decide: a indicação é do presidente Lula; a sabatina e a aprovação são do Senado, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
  • Quando: antes da reunião do Copom de 8 e 9 de dezembro. Até a reportagem da Agência Brasil de 4 de novembro, não havia indicação, e não há data marcada para sabatina.
  • Onde acompanhar: a ata e o comunicado do Copom, no site do Banco Central, e a pauta da CAE, no site do Senado.

Fontes

11 fontes · todas confirmadas

AB-COPOM

Fonte confirmada.

Banco Central surpreende e mantém juros básicos em 13,75% ao ano — Wellton Máximo, Agência Brasil (EBC), 2026-11-04

Decisão unânime do Copom em 04/11/2026; trechos do comunicado do Copom citados pela reportagem; mandatos de Renato Gomes e Diego Guillen expirados no fim de 2025 e indicações ainda não encaminhadas por Lula até a data da reportagem. Na leitura da Agência Brasil, a decisão surpreendeu o mercado, que esperava corte de 0,25 ponto (o InfoMoney diz que foi em linha com o esperado).

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-11/bc-surpreende-e-mantem-juros-basicos-em-1375-ao-ano

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IM-COPOM

Fonte confirmada.

BC mantém Selic em 13,75% ao ano e destaca "aumento significativo das incertezas" — Equipe InfoMoney, 2026-11-04

A manutenção interrompe cinco cortes seguidos; os sete membros que votaram. Na leitura do InfoMoney, a decisão foi em linha com o esperado pelo mercado, depois de as apostas mudarem de corte para pausa (a Agência Brasil diz que surpreendeu).

Com isso, o Copom (Comitê de Política Monetária) interrompe uma sequência de 5 quedas na taxa.

https://www.infomoney.com.br/economia/banco-central-copom-decisao-selic-04112026/

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AB-DURIGAN

Fonte confirmada.

Durigan diz que é preciso dar condições para a queda dos juros — Vitor Abdala, Agência Brasil, 2026-11-05

Fala do ministro da Fazenda, Dario Durigan, no dia seguinte à decisão do Copom.

É uma taxa de juros bastante alta, muito ruim para economia, para todos os setores

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-11/durigan-diz-que-e-preciso-dar-condicoes-para-queda-dos-juros

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AB-SETOR

Fonte confirmada.

Setor produtivo critica manutenção da Selic em 13,75% ao ano — Wellton Máximo, Agência Brasil, 2026-11-04

Reações à decisão: CNI (Ricardo Alban), Força Sindical (Miguel Torres) e Juvandia Moreira (Contraf-CUT e CUT); opinião de cada um, atribuída a cada um.

Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-11/setor-produtivo-critica-manutencao-da-selic-em-1375-ao-ano

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B3-CALENDARIO

Fonte confirmada.

Copom terá 8 reuniões em 2026; veja calendário e projeção para a Selic — Bora Investir (B3), 2026-01-12

Calendário das reuniões do Copom em 2026: a reunião de novembro foi em 3 e 4 de novembro e a última do ano é em 8 e 9 de dezembro.

https://borainvestir.b3.com.br/noticias/copom-tera-8-reunioes-em-2026-veja-calendario-e-projecao-para-a-selic/

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BCB-SGS20772

Fonte confirmada.

Taxa média de juros das operações de crédito: financiamento imobiliário com taxas de mercado, pessoas físicas (série 20772) — Banco Central do Brasil, Sistema Gerenciador de Séries Temporais, 2026-08

Juro de mercado do financiamento imobiliário: 11,54% ao ano em jan/2024, 14,88% em set/2025 e 14,24% em ago/2026. A simulação de R$ 240 mil em 360 meses, SAC, sem TR, seguros e taxas (1ª parcela R$ 3.344,12; total de R$ 723.280; juros = 66,8% do total) é conta feita com essa taxa.

https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.20772/dados?formato=json

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BCB-SGS29034

Fonte confirmada.

Comprometimento de renda das famílias com o serviço da dívida com o Sistema Financeiro Nacional, com ajuste sazonal (série 29034) — Banco Central do Brasil; confirmado pelo Blog do Ibre/FGV, 2026-07

Em julho de 2026 as famílias comprometiam 28,72% da renda com parcela e juros de dívida com bancos, o maior valor da série iniciada em 2005.

28,7% em julho de 2026, repetindo o maior valor da série, iniciada em 2005

Esse documento não tem link público.

CNC-PEIC

Fonte confirmada.

CNC: endividamento das famílias sobe para 82%, mas inadimplência cai — CNC, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), via Mercado & Consumo, 2026-08-06

Em julho de 2026, 82% das famílias tinham dívida, o maior patamar da série.

https://mercadoeconsumo.com.br/06/08/2026/noticias/cnc-endividamento-das-familias-sobe-para-82-mas-inadimplencia-cai/

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JC-ROTATIVO

Fonte confirmada.

Juro médio do rotativo do cartão de crédito sobe a 444,9% ao ano em agosto, diz BC — Jornal do Comércio, com dados do Banco Central (série 22022), 2026-09-29

Juro médio do rotativo do cartão de crédito para pessoa física em agosto de 2026: 444,9% ao ano.

Juro médio do rotativo do cartão de crédito sobe a 444,9% ao ano em agosto, diz BC

https://www.jornaldocomercio.com/economia/2026/09/1265047-juro-medio-do-rotativo-do-cartao-de-credito-sobe-a-4449-ao-ano-em-agosto-diz-bc.html

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LEI-14690

Fonte confirmada.

Lei nº 14.690, de 2023 — Presidência da República, 2023

Desde janeiro de 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelado do cartão ficam limitados a 100% do valor original da dívida.

Esse documento não tem link público.

FV-TRABALHAMOS

Fonte confirmada.

Por que a gente trabalha tanto e continua na merda — Fio Vermelho, 2026-10-16

O episódio mostra o salário cobrado de novo depois de pago: cesta, dívida, rotativo do cartão e bets.

https://fiovermelho.org/episodios/por-que-trabalhamos-tanto/

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