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Congresso aprova teto maior pro MEI e perdão de dívida; agora falta a sanção

O limite do MEI, parado em R$ 81 mil por ano desde 2016, sobe pra R$ 140 mil até 2028. E o próprio governo estima 3,6 milhões de MEIs devendo à União.

Por Fio Vermelho ·

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O Senado aprovou na quinta-feira, 15 de outubro, por 78 votos a 0, o projeto que muda as regras do MEI, o CNPJ de quem trabalha sozinho: a manicure, o pedreiro, o entregador que se formalizou. Na véspera, a Câmara tinha aprovado o mesmo texto por 461 votos a 4. O projeto, o PLP 186/2026, faz três coisas: aumenta quanto o MEI pode faturar por ano, amplia de um para até dois o número de empregados, com uma ressalva que a gente explica abaixo, e perdoa as dívidas de MEI que o governo federal já mandou pra cobrança.

Ainda não é lei. O texto segue agora para sanção presidencial, e o presidente pode aprovar tudo ou vetar trechos.

O que muda pra quem trabalha

O teto do MEI está parado em R$ 81 mil por ano desde 2016. Dá R$ 6.750 por mês, e faturamento não é salário: é tudo que entra antes de pagar o material, a gasolina, o aluguel do ponto. Pelo texto aprovado, o teto passa a R$ 110 mil em 2027 e a R$ 140 mil em 2028, uns R$ 11.666 por mês. Na conta da gente, são 72,8% a mais que o teto de hoje.

Hoje a lei deixa o MEI contratar um empregado só. O texto aprovado amplia pra até dois, mas as duas agências do Congresso dizem que isso vale "para as atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural". A abertura da notícia da Agência Senado fala da mudança sem essa ressalva, e nenhuma das duas páginas diz com todas as letras como fica o MEI da cidade. Quem vai poder contratar o segundo empregado, só a redação final do projeto ou a lei sancionada vai mostrar.

E o salário desse empregado continua travado, como já é hoje. Segundo a Agência Senado, "Os empregados deverão receber exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional." Repara na conta: o quanto o patrão pode faturar sobe mais de 70% em dois anos; o salário de quem trabalha pra ele continua amarrado no mínimo ou no piso.

O perdão vale pras dívidas de MEI inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026, que é a lista de quem deve ao governo federal e já está sendo cobrado. Ele tem condição. Segundo as agências de notícias da Câmara e do Senado, quem for perdoado precisa pagar em dia nos seis meses depois que a lei entrar em vigor e desistir de "ações judiciais em curso na data de entrada em vigor da lei complementar".

Quantos MEIs devem? Aqui as duas Casas não batem. A Agência Câmara fala em "quase 3 milhões de MEIs". A Agência Senado, citando uma estimativa do governo, fala em "cerca de 3,6 milhões de MEIs com dívidas inscritas na Dívida Ativa da União, que somam R$ 12,57 bilhões." Pelo número do Senado, numa conta nossa, dá em média uns R$ 3,5 mil por pessoa. São milhões de brasileiros que o país chama de empreendedores, devendo ao governo federal.

Para os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN), segundo a Agência Senado, "a atualização dos limites está sendo usada eleitoralmente pelo governo". Ainda segundo eles, "a atualização é uma obrigação do governo e está anos atrasada".

O fio: a beirada tem um nome bonito

Em 2025, o IBGE contou 26,2 milhões de brasileiros trabalhando por conta própria: um em cada quatro que trabalham. A parte deles com CNPJ chegou a 27,1%, o maior número desde 2012, quando era 15%. Mesmo no recorde, quase três em cada quatro seguem sem CNPJ. Um cuidado: esse número é pesquisa do IBGE nas casas, não o cadastro de MEI da Receita. São contas diferentes, e o MEI é só um dos jeitos de ter CNPJ.

É dessa gente que fala o episódio sobre por que o trabalhador cai no conto da extrema direita, da série Reflexões (abre em outra aba), que estreia na sexta-feira, 23 de outubro, às 19h, no YouTube do Fio Vermelho. O episódio olha pra beirada: quem não está no fundo do poço, mas vive com medo de cair. E diz: "No Brasil de hoje, a beirada tem um nome bonito: empreendedor." Logo depois, o aviso: "Isso não diz em quem essa gente vota. Diz onde ela está: na beirada."

A votação desta semana mostra o que tem por trás do nome bonito. De um lado, milhões de "empreendedores" devendo à União, pelo número do próprio governo. Do outro, o empregado do empreendedor com o salário escrito na lei: o mínimo ou o piso. O episódio lembra que "quem se vê como patrão de si mesmo passa a ter o medo do patrão": o fiscal, o imposto. A lei mexe justamente nesse medo, e deixa intacto o salário de quem trabalha pro pequeno patrão.

O que pode mudar, e quando

Falta a sanção. Até ela sair, nada muda: o teto continua em R$ 81 mil, a regra de um empregado segue valendo e a dívida continua na cobrança. O presidente pode sancionar o texto inteiro ou vetar trechos dele.

Nenhuma das agências do Congresso informou quando a lei passa a valer. O que está no texto são os anos dos tetos novos: R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Até lá, quem trabalha sozinho segue fazendo a mesma conta de 2016.

Fontes

6 fontes · 5 confirmadas · 1 disputada

SEN1510

Fonte confirmada.

Senado aprova aumento do teto para MEI e perdão de dívidas — Agência Senado, 2026-10-15

O Senado aprovou o PLP 186/2026 em 15/10/2026 por 78 a 0 e o texto segue para sanção; o teto do MEI, de R$ 81 mil desde 2016, passa a R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028; o projeto amplia de um para até dois empregados "para as atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural" (a abertura da matéria fala da ampliação sem essa ressalva, então o alcance exato depende do texto final), e os empregados devem receber exclusivamente um salário mínimo ou o piso da categoria; o perdão exige pagamento em dia nos seis meses seguintes à entrada em vigor; relator no Senado, Carlos Fávaro (PSD-MT); para os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN), a atualização está sendo usada eleitoralmente pelo governo e está anos atrasada.

A votação foi unânime: 78 votos a favor, nenhum contrário.

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/15/senado-aprova-aumento-do-teto-para-mei-e-perdao-de-dividas

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CAM1410

Fonte confirmada.

Câmara aprova novo limite de enquadramento para microempreendedor individual e inclui perdão de dívidas — Agência Câmara de Notícias, 2026-10-14

A Câmara aprovou o texto em 14/10/2026 por 461 a 4; perdoa as dívidas de MEI inscritas na Dívida Ativa da União até 13/10/2026, com a condição de pagar em dia nos seis meses seguintes à entrada em vigor e desistir de ações judiciais em curso na data de entrada em vigor; permite que um MEI contrate até dois empregados, e diz que a contratação vale apenas para atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural; relator na Câmara, Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

O valor aumentará para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

https://www.camara.leg.br/noticias/1311288-camara-aprova-novo-limite-de-enquadramento-para-microempreendedor-individual-e-inclui-perdao-de-dividas

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DEVEDORES

Fonte disputada: os historiadores discordam.

Quantos MEIs devem à União: Agência Câmara (14/10) e Agência Senado (15/10) — Agência Câmara de Notícias e Agência Senado, 2026-10-15

Quantos MEIs têm dívida inscrita na Dívida Ativa da União: a Agência Câmara fala em quase 3 milhões; a Agência Senado, citando estimativa do Executivo, em cerca de 3,6 milhões, somando R$ 12,57 bilhões. A média de uns R$ 3,5 mil por devedor é conta do Fio Vermelho sobre o número do Senado.

cerca de 3,6 milhões de MEIs com dívidas inscritas na Dívida Ativa da União, que somam R$ 12,57 bilhões.

Aqui os historiadores discordam.

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/15/senado-aprova-aumento-do-teto-para-mei-e-perdao-de-dividas

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GOV2309

Fonte confirmada.

Cresce o número de MEIs com CNPJ e proteção previdenciária, mostra pesquisa do IBGE — Agência Gov (EBC), com dados do IBGE (PNAD Contínua), 2026-09-23

Pela PNAD Contínua do IBGE, a parcela de trabalhadores por conta própria com CNPJ passou de 15,0% em 2012 para 27,1% em 2025, o maior nível da série; logo, quase três em cada quatro seguem sem CNPJ (conta do Fio Vermelho).

saltou de 15,0%, em 2012, para o seu ápice histórico de 27,1%, em 2025.

https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202609/cresce-o-numero-de-meis-com-cnpj-e-protecao-previdenciaria-mostra-pesquisa-do-ibge

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IBGE-DGABC

Fonte confirmada.

Registro de CNPJ entre trabalhadores autônomos atinge recorde em 2025, aponta IBGE — Diário do Grande ABC, com dados do IBGE (PNAD Contínua, Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025), 2026-09-23

O Brasil teve o recorde de 26,2 milhões de trabalhadores por conta própria em 2025, 25,4% dos ocupados.

https://www.dgabc.com.br/Noticia/4348593/registro-de-cnpj-entre-trabalhadores-autonomos-atinge-recorde-em-2025-aponta-ibge

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EP-CONTO

Fonte confirmada.

Por que o trabalhador cai no conto da extrema direita (série Reflexões) — Fio Vermelho, 2026-10-23

O episódio trata de quem vive na beirada, com medo de cair, e mostra que no Brasil de hoje essa beirada é a do trabalho por conta própria, chamado de empreendedorismo; diz que o dado não indica em quem essa gente vota, e sim onde ela está.

No Brasil de hoje, a beirada tem um nome bonito: empreendedor.

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