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EDITORIAL – 04/08/2020

ELEIÇÕES, UNIDADE E PACTO DE NÃO AGRESSÃO

As eleições de 2020 se aproximam. Ainda que não sejam centrais na estratégia mais radical de transformação da sociedade, servem como bom espaço para, em certas circunstâncias, levar adiante alguns temas e pautas que são caras ao campo progressista. Embora a pandemia tenha obrigado a adiar o calendário eleitoral, não há nenhum indício de não realização das eleições esse ano. Se, por um lado, a decisão é em âmbito municipal, por outro será uma eleição nacionalizada: o principal motivo, claro, será a busca por afirmação do campo da extrema-direita enquanto alternativa política viável. Essa afirmação é imprescindível para a capilarização desse movimento e para retirar a mácula de uma eleição envolta em denúncias de notícias falsas e financiamentos ilegais de disparo massivo de mensagens via aplicativos de celular. Será uma eleição que avaliará, além das questões específicas dos municípios, a atuação do governo federal, desde a deposição de Dilma Rousseff.

Então, qual é o papel do campo progressista nesse momento? Em um âmbito geral parece claro: enfrentar o Bolsonarismo e suas pautas regressivas, no campo político, econômico e dos direitos civis. Avançar nas pautas relacionadas à redistribuição econômica, reforma tributárias mais progressivas, utilização do espaço urbano e políticas de transporte, além da saúde e educação, ambas prejudicadas pela PEC do Teto de Gastos e pela inoperância ministerial no último período. Essas políticas já estavam gerando impactos nos municípios e devem ser questionadas e propositivamente superadas.

Apontar os erros e contradições das gestões e dos partidos de direita no último período é a tarefa prioritária. Devemos ganhar corações e mentes para um discurso que preze, de fato, pela sobrevivência da população que mais precisa, denunciando as gestões temerárias que vêm sendo feitas, ajustes fiscais draconianos e descasos de toda ordem com a coisa pública. Devemos lutar pelo direito à cidade, direito esse que vem sendo sistematicamente negado quando o município é entregue à especulação imobiliária e às parcerias público-privadas funestas, com um empresariado como dos transportes, que presta um serviço de baixa qualidade com um dos custos mais altos do país para os cidadãos.

Mesmo que, no âmbito mais geral, o enfrentamento à extrema-direita parece ser a tônica, em termos mais pragmáticos, essa ampla unidade não tem se confirmado, por vários motivos. Se a unidade eleitoral plena – uma chapa composta por todo o campo da esquerda progressista – não ocorre, não significa que não devamos seguir exercitando a unidade no combate aos nossos principais adversários.

A proposta, portanto, é um “pacto de não agressão” entre as esquerdas nas eleições que se aproximam. Deixemos as diferenças de lado para combater os problemas que, de fato, a classe trabalhadora vem enfrentando. Demarcar diferenças entre camaradas nesse momento é apenas um desserviço para o campo democrático e impulso para os discursos e candidatos conservadores.

Para colaborar com isso, o Fio Vermelho realizará uma série de entrevistas com pré-candidatos às eleições municipais, de diversos partidos, mostrando o que nos aproxima enquanto campo político, promovendo o debate público e a participação cidadã, trazendo opções para quem quer aprofundar o debate sobre a cidade. Se as eleições não são estratégia central, que sirvam, enquanto tática, para o exercício da unidade no combate aos projetos políticos conservadores.

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