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Nascimento de Paulo Freire

“Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica.” Paulo Freire

Muito já ouvimos falar sobre o poder da educação e de que só através dela poderemos construir um país melhor, mais justo. De fato, a educação é muito importante para um país que deseja autonomia, independência, liberdade. Mas será que uma educação elitista, que apenas transmita conhecimentos, cumpriria este papel?

Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, nasceu em 19 de setembro de 1921, há 99 anos. Reconhecido internacionalmente, crítico do “ensino padrão” (que ele chamou de “educação bancária”) oferecido pela maioria das escolas, chefiou, em 1963, um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês, na cidade de Angicos (RN). Seu método era utilizar palavras que faziam parte do cotidiano dos trabalhadores, como _tijolo_. Após o curso, uma greve na cidade parou a construção de uma obra. Acredita-se que os trabalhadores teriam sido inspirados pelo ensino de direitos trabalhistas em sala de aula. A partir da palavra _trabalho_, os alunos teriam sido estimulados a ler artigos da CLT. “Os trabalhadores disseram ao dono da empresa que sabiam que tinham direitos”, disse uma aluna. Ironicamente, o projeto fora financiado pelos Estados Unidos, que via na alfabetização dos brasileiros uma das armas na luta contra o avanço do comunismo na América Latina.

Infelizmente, logo depois, com o golpe de 1964, Paulo Freire foi demitido da então Universidade do Recife. Ficou 70 dias preso e em seguida deixou o país. Durante o exílio no Chile lançou sua obra mais conhecida: PEDAGOGIA DO OPRIMIDO: ”Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.

Referindo-se à educação que domestica e conforma: “O educador que, ensinando geografia, ‘castra’ a curiosidade do educando em nome da eficácia da memorização mecânica do ensino dos conteúdos, tolhe a liberdade do educando, a sua capacidade de aventurar-se. Não forma, domestica. Tal qual quem assume a ideologia fatalista embutida no discurso neoliberal, de vez em quando criticada neste texto, e aplicada preponderantemente às situações em que o paciente são as classes populares. ‘Não há o que fazer, o desemprego é uma fatalidade do fim do século.’”(PEDAGOGIA DA AUTONOMIA).

Bolsonaro, fazendo jus ao seu estilo grosseiro, desrespeitoso e desinformado, chamou Paulo Freire de “energúmeno”, certa vez, ao falar para alguns poucos às portas do Palácio da Alvorada. Condizente com a educação que recebeu e com seu ideal de submissão aos Estados Unidos. Faltou, entre outras coisas, ler sua obra.

“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” (PEDAGOGIA DA INDIGNAÇÃO).

Paulo Freire, educador BRASILEIRO, PRESENTE!

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